segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O MITO DO AMOR E DA LOUCURA

Como sempre minhas maiores inspirações para escrever vêem de conversas que tenho com os amigos. Num restaurante, falando sobre as aventuras e desventuras, encontros e desencontros, me lembrei do mito do amor e da loucura... uma das mais belas histórias, cuja autoria eu não lembro, mas que explica a relação profunda entre esses dois sentimentos em nossos corações. Decidi partilhar com vocês!


Contam que uma vez todos os sentimentos e qualidades dos homens se reuniram em um lugar da terra. Quando o ABORRECIMENTO havia reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca, lhes propôs:

- Vamos brincar de esconde-esconde?

A INTRIGA levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE, sem poder conter-se, perguntou:

- Esconde-esconde? Como é isso?

- É um jogo, explicou a LOUCURA, em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem. Quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupara meu lugar para continuar o jogo, da próxima vez que a gente jogar.

O ENTUSIASMO dançou seguido pela EUFORIA. A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou por convencer a DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessava por nada. Mas nem todos quiseram participar: A VERDADE preferiu não esconder-se. Para quê, se no final todos a encontravam? A SOBERBA opinou que era um jogo muito tonto (no fundo, o que a incomodava era que a idéia não tivesse sido dela) e a COVARDIA preferiu não arriscar-se.

- Um, dois, três, quatro - Começou a contar a LOUCURA.

A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que, como sempre, caiu atrás da primeira pedra do caminho. A FÉ subiu ao céu e a INVEJA se escondeu atrás da sombra do TRIUNFO, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta. A GENEROSIDADE quase não conseguia esconder-se pois, cada local que encontrava, lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos: Se era um lago cristalino, ideal para a BELEZA; se era a copa de uma árvore, perfeito para a TIMIDEZ; se era o vão de uma borboleta, o melhor para a VOLÚPIA. Se era uma rajada de vento, magnífico para a LIBERDADE. E assim acabou escondendo-se em um raio de sol.

O EGOÍSMO, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado, cômodo, mas apenas para ele. A MENTIRA escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-íris) e a PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões. O ESQUECIMENTO, não recordo-me onde se escondeu, mas isso não é o mais importante. Quando a LOUCURA estava lá pelo 999.999, o AMOR ainda não havia encontrado um local para esconder-se, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou um roseiral e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre suas flores.

- Um milhão!!!!!! Contou a LOUCURA e começou a busca.

A primeira a aparecer foi a PRESSA apenas há três passos, atrás de uma pedra. Depois, escutou a FÉ conversando com Deus, no céu, Sentiu vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões. Em um descuido, encontrou a INVEJA e claro, pode deduzir onde estava o TRIUNFO. O EGOÍSMO, não teve nem que procurá-lo. Ele sozinho saiu disparado de seu esconderijo que na verdade era um ninho de vespas.

De tanto caminhar, a loucura sentiu sede e ao aproximar-se de um lago, descobriu a BELEZA. A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado se esconderia. E assim foi encontrando a todos.

O TALENTO entre a erva fresca, a ANGÚSTIA em uma cova escura, a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o ESQUECIMENTO, a quem já havia esquecido que estava brincando de esconde-esconde. Apenas o AMOR não aparecia em nenhum local.

A LOUCURA procurou atrás de cada árvore, em baixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de dar-se por vencida, encontrou um roseiral.

Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos... no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito.Os espinhos tinham ferido o AMOR nos olhos. A LOUCURA não sabia o que fazer para se desculpar. Chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia por toda a vida. O AMOR, então, concordou com o oferecimento da LOUCURA e, desde que pela primeira vez se brincou de esconde-esconde na terra, O AMOR é cego e a LOUCURA seu guia.

"Quem não ama demais, não ama o bastante"

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Reflexo de mim mesmo



Hoje fiz uma mega experiência. Viajei no tempo...
Sério!! Não ria, nem faça esta cara de espanto (muito menos frise a testa). Posso explicar como cheguei a este feito.

Não precisei de uma máquina, não utilizei-me de mágica, muito menos de feitiçaria ou truques... na verdade aconteceu sem eu esperar e me dar conta.

O acaso fez com que esta viagem acontecesse, e este é o primeiro ponto a ser observado, eu não busquei o fato, eu soube utiliza-lo em meu favor, por isso foi tão gostoso.

Hoje um amigo desabafou comigo. E como já é do conhecimento de todos, sou religioso (se ainda não sabe, leia algumas postagens passadas, se possível a primeira), agora um reverendo Diácono da Santa Igreja Católica. E como tal, na rede de amigos que possuo, não poderiam deixar de existir pessoas que vivem neste meio: padres, diáconos, seminaristas, vocacionados (e pasme, um ou outro bispo... rsrsrs). A estória de hoje aconteceu com um jovem que se prepara para a vida religiosa. Ele falava da dificuldade de assumir sua postura na casa de formação, de não sustentar ser ostilizado pelos colegas por conta de seu talento, sendo acusado de querer aparecer sempre... de não querer se envolver em conflitos, pois estes geram dor de cabeça e indisposição (vamos combinar nenhum conflito é agradável).

Sabe, enquanto ele falava eu observava... seus olhos, por 3 vezes, encheram-se de lágrimas enquanto desabafava... ali, naquele momento... meu Deus foi extraordinário: eu me vi!! Me vi sim, me enxerguei há oito anos atrás, há 3 anos atrás, há pouco tempo atrás... rsrssrsrsrs. Com medo de tudo (principalmente dos conflitos, e às vezes eles são necessários), tendo que provar que sou bom e que mereço confiança (quando você não precisa provar nada pra ninguém), que desejava ser amigo de todos, mas não era compreendido (pois não dá pra agradar a todo mundo por todo tempo). Como é engraçado enxergar situações que você viveu, de fora delas!! Isso é viajar no tempo! O perigo desta experiência ímpar, é única também, e cruel: concluir, ao voltar, que você não mudou... que permanenceu o mesmo... deve ser bem ruim!

No meu caso, uma sensação boa de alívio brotou de meu peito, e eu suspirei: "nossa, eu te entendo tão bem, e que bom que não estou mais assim..." Claro que não sou perfeito e nem estou pronto ainda. Mas, foi agradável ver que dei mais um passo à frente e me considero melhor. Com isso, poderei ajudar muito meu amigo, se ele me permitir e si permitir... mas aconselho a você que quando a oportunidade surgir, agarre-a se estiver preparado, e viaje no tempo. Faz bem, alimenta a alma e o espírito... E nos faz crescer. Não deixe de evoluir (pra melhor é claro). Você só tem a ganhar com isso.

Virando antigas páginas para escrever novas!

20 de setembro de 2010... esta foi a última vez que postei. E sendo sincero, nem tive o trabalho de escrever... apenas deixei em imagem a impressão de meus sentimentos naquela data.

Pois é... impressão... é isso que nossa história pessoal deixa em nós! Marcas, sicatrizes, imagens que vamos guardar para o resto de nossas vidas! Sejam elas boas, ou não, agradáveis, ou fáceis de serem descartadas. O que importa é que elas ficam conosco! Tenho muitas estórias para contar, algumas ainda latejam frescas em minha carne (por isso perdoem por não mexêr nelas agora). Para isso existe o ano: o tempo passa, cura nossas feridas e podemos de fato rir de tudo que aconteceu. Por que, por pior que seja a experiência vivida, ela nunca pode superar o desejo de ser, no final das contas: Feliz! Essa é a nossa busca; esse é o meu Blog. Seja bem vindo!