
"Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça." (Lc 22, 31-32)
Esperei ansiosamente por este momento. Ainda me acostumo com a idéia de fazer parte do clero... foram 8 anos como seminarista... rsrsrs ("natural", todos me dizem). Mas, como dizia, esperei por estes dias de retiro, pois era uma oportunidade de conhecer o clero, interagir com eles e aprender bastante.
E, de fato, as palavras de D. Vicente, têm sido de grande valia. Os momentos de meditação particular me levaram a acalmar um coração angustiado por se reconhecer miserável demais para servir ao Senhor. Aliás, esse é motivo deste artigo. Como a troca de experiências podem fazer com que você reconheça seu valor e o quanto você pode crescer e amadurecer.
Interagir com o clero está sendo muito bom. Vejo padres super dispostos, e outros que já estão cansados e fatigados de sua caminhada... outros sofridos por vários tombos durante a vida! Mas, penso que, todos estão juntos, e ao virem para este retiro buscavam algo para si; têm a esperança de algo (quem sabe de mudar!)
Mas, como dizia, D. Vicente tem sido magistral em suas pregações que trabalham muito o tema do "Jesus Educador", do Jesus que utiliza-se de uma pedagogia peculiar para ensinar os seus discípulos a evangelizarem. Pois bem, ao me deparar com os fariseus do templo que não entenderam o anúncio do ministério de Jesus (Lc 4,14ss), ao caminhar com os discípulos de Emaús que estavam tristes e decepcionados, logo, não reconheceram a Jesus (Lc 24,13ss) e ao me deparar com a fragilidade de Pedro percorrendo o itinerário da grande crise que se abateu sobre ele por não conhecer da fato seu amigo (Lc 18-22; Mc 8, 31-33), eu me vi com muita esperança... e também não perdi a esperança nos meus colegas padres e diáconos.
Aliás, esta é a palavra que mais combina com retiro... ESPERANÇA! Porque, se Deus não tivesse esperança no seu povo, nós não estaríamos aqui hoje, pois o grande mistério da encarnação, morte e ressurreição nem teria existido. Nosso Deus é um Deus da esperança... por isso Jesus na cruz pede ao Pai que perdoe os pecados daqueles que lhe fazem mal; por isso que em Emaús Jesus, ao perceber a decepção e a "pouca inteligência" dos dois discípulos explica-lhes a Escritura de Moisés aos profetas e, principalmente, não se esquece de Pedro, e por mais frágil que pudesse parecer lhe confia sua igreja e a conversão dos irmãos (Lc 22,32).
Nestes dias completei 4 meses de diácono. E o celebrei da melhor maneira possível: no retiro me escolheram para proclamar o Evangelho e servir ao altar (e ninguém sabia desta data). Ao final, um padre me disse: "Meu filho, nunca perca esta sua piedade..." Refleti muito sobre isto a noite toda. Penso que eu, de alguma forma, resgatei algo no coração daquele homem. E me senti muito útil por conta disto, pois reconheço nisto a ação de Deus em nossas vidas...
Estou com uma esperança muito grande em mim mesmo e no ministério presbiteral que um dia almejo receber (se for merecedor). Isso não é motivo de grande felicidade?! Hi!! Olha ela de novo! Só que agora veio numa dose bem grande! Saudações e até a próxima!
