quarta-feira, 6 de abril de 2011

CELEBRAÇÃO...

"Simão, Simão! Satanás pediu permissão para peneirar-vos, como se faz com o trigo. Eu, porém, orei por ti, para que tua fé não desfaleça." (Lc 22, 31-32)

Estou em meio a um retiro para padres e diáconos. É o primeiro feito pela Região Episcopal da qual faço parte na Arquidiocese de São Paulo, e lógico, o primeiro que participo. O pregador deste retiro é o bispo da diocese de Jundiaí D. Vicente Costa, um homem experiente na sua caminhada vocacional e totalmente dedicado ao estudo da Sagrada Escritura.

Esperei ansiosamente por este momento. Ainda me acostumo com a idéia de fazer parte do clero... foram 8 anos como seminarista... rsrsrs ("natural", todos me dizem). Mas, como dizia, esperei por estes dias de retiro, pois era uma oportunidade de conhecer o clero, interagir com eles e aprender bastante.

E, de fato, as palavras de D. Vicente, têm sido de grande valia. Os momentos de meditação particular me levaram a acalmar um coração angustiado por se reconhecer miserável demais para servir ao Senhor. Aliás, esse é motivo deste artigo. Como a troca de experiências podem fazer com que você reconheça seu valor e o quanto você pode crescer e amadurecer.

Interagir com o clero está sendo muito bom. Vejo padres super dispostos, e outros que já estão cansados e fatigados de sua caminhada... outros sofridos por vários tombos durante a vida! Mas, penso que, todos estão juntos, e ao virem para este retiro buscavam algo para si; têm a esperança de algo (quem sabe de mudar!)

Mas, como dizia, D. Vicente tem sido magistral em suas pregações que trabalham muito o tema do "Jesus Educador", do Jesus que utiliza-se de uma pedagogia peculiar para ensinar os seus discípulos a evangelizarem. Pois bem, ao me deparar com os fariseus do templo que não entenderam o anúncio do ministério de Jesus (Lc 4,14ss), ao caminhar com os discípulos de Emaús que estavam tristes e decepcionados, logo, não reconheceram a Jesus (Lc 24,13ss) e ao me deparar com a fragilidade de Pedro percorrendo o itinerário da grande crise que se abateu sobre ele por não conhecer da fato seu amigo (Lc 18-22; Mc 8, 31-33), eu me vi com muita esperança... e também não perdi a esperança nos meus colegas padres e diáconos.

Aliás, esta é a palavra que mais combina com retiro... ESPERANÇA! Porque, se Deus não tivesse esperança no seu povo, nós não estaríamos aqui hoje, pois o grande mistério da encarnação, morte e ressurreição nem teria existido. Nosso Deus é um Deus da esperança... por isso Jesus na cruz pede ao Pai que perdoe os pecados daqueles que lhe fazem mal; por isso que em Emaús Jesus, ao perceber a decepção e a "pouca inteligência" dos dois discípulos explica-lhes a Escritura de Moisés aos profetas e, principalmente, não se esquece de Pedro, e por mais frágil que pudesse parecer lhe confia sua igreja e a conversão dos irmãos (Lc 22,32).

Nestes dias completei 4 meses de diácono. E o celebrei da melhor maneira possível: no retiro me escolheram para proclamar o Evangelho e servir ao altar (e ninguém sabia desta data). Ao final, um padre me disse: "Meu filho, nunca perca esta sua piedade..." Refleti muito sobre isto a noite toda. Penso que eu, de alguma forma, resgatei algo no coração daquele homem. E me senti muito útil por conta disto, pois reconheço nisto a ação de Deus em nossas vidas...

Estou com uma esperança muito grande em mim mesmo e no ministério presbiteral que um dia almejo receber (se for merecedor). Isso não é motivo de grande felicidade?! Hi!! Olha ela de novo! Só que agora veio numa dose bem grande! Saudações e até a próxima!

terça-feira, 5 de abril de 2011

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


02/04/2011... esta data ficará marcada na minha memória... Foi neste dia que, com muito carinho, pela rádio 9 de Julho, a rádio católica de São Paulo, celebrei o primeiro ano do programa "Teologia na Vida da Igreja". Um programa semanal (ele vai ao ar só aos sábados de 8hs às 9hs - na AM 1600khz) que apresento e produzo, e que chegou na minha vida para acrescentar tempero, com uma pitada de desafio.

Confesso que ao longo deste 365 dias, os sabores nem sempre foram suaves: algumas vezes foram fortes, outros insossos. Mas, de certa forma, posso garantir que na maioria dos dias, foi muito gostoso fazer o programa. A comemoração do primeiro ano, seja da vida, seja do trabalho, ou de qualquer outra coisa que seja importante e relevante para nós, é sempre prazeroso e festivo. Comigo não foi diferente. Resolvi fazer ao vivo o programa, nos estúdios da própria rádio. Queria dar este presente aos ouvintes (que na minha cabeça eram poucos, porém, fiéis), uma vez que os mesmos só tinham acesso aos programas gravados (agenda de professores, o produtor era seminarista quando começou, a distância da rádio, etc.).

Sabe, de novo a danadinha da Felicidade apareceu em minha vida! Como foi bom estar com ela bem pertinho. Através da participação do público, pude perceber o quanto o trabalho que faço é importante e significativo para tanta gente! Meus Deus!! Que responsabilidade! A gente só se dá conta de nossa importância no mundo quando estes acontecimentos chegam até nós... adentramos na vida dos outros, fazemos parte de suas histórias. Logo, nossa presença no mundo é importante! Você já pensou nisso? Ninguém é ilha... pela menos para uma pessoa você é importante: Deus.

Foram tantas ligações, em-mails, posts em página de relacionamento... enfim, experimentei a graça de se estar vivo e fazer deste fato algo significativo para mim mesmo e para o mundo em minha volta.

Mas, esta introdução, foi para narrar um fato muito bonito que aconteceu neste mesmo dia. E acho que este foi o maior presente deste aniversário!

Os meninos do seminário de Filosofia, que entraram comigo no seminário propedêutico da Arquidiocese de São Paulo, me convidaram, após o programa, para tomar café... (a rádio 9 de julho fica no mesmo prédio do seminário de Filosofia) era a primeira vez que nos encontrávamos após minha ordenação diaconal. Eles estavam ouvindo o programa e foram cantar parabéns ao vivo para os ouvintes do programa. Isso já havia sido o máximo... mas, após tomar café com eles, lembrar de tantos acontecimentos vividos, falar um pouco da fase que vivo e que todos almejam alcançar e de conhecer a casa, no final, quando já ia embora, um deles diz: "Diácono, nos dê a sua bênção..."

Olhei para aqueles 4 meninos de pé, perfiladinhos, jovens na idade sim, mas tão grandes em sua fé, e me vi o menor dos seres humanos... me emocionou muito este pedido. De fato, nossa amizade era grande, eu não podia duvidar mais! Eles acreditavam em mim, eles confiaram em mim, e eu não os decepcionei! Acreditando na sua fé, lhes dei a bênção! Eles saíram sorrindo e eu fiquei ali parado, naquela manhã de sábado, vendo-os subir a rampa, felizes e realizados com aquele acontecimento.

Somos muito importantes para as pessoas... ainda que não acreditemos em nós mesmos, somos parte deste grande sistema chamado universo. E a felicidade, esta grande moleca faceira, está solta por aí. Pronta a aparecer e fazer parte da vida daqueles que permitirem-se vê-la! Nunca permita que no seu coração você acredite que a vida não vale a pena. Ela já vale só pelo fato de você existir. Pense nisto!